Os benefícios de colorir
Os livros e desenhos para colorir existem há muito tempo. Surgiram no século XIX nos Estados Unidos, no âmbito do movimento de «democratização da arte». A ideia era que todos os alunos beneficiariam de aprender a apreciar a arte e a beleza, independentemente do seu talento artístico.
Na década de 1880, a editora McLoughlin Brothers publicou um dos primeiros livros para colorir, The Little Folks' Painting Book, com ilustrações de Kate Greenaway.
Na educação, os livros para colorir oferecem um caminho para o conhecimento muito mais entusiasmante do que os métodos tradicionais. As cores vivas e a representação visual das ideias memorizam-se melhor do que o simples texto, e a criança pode interagir com o material de uma forma natural e apelativa. Em vez de ouvir que não deve desenhar no manual escolar, a criança é incentivada a alterar o material da forma que mais lhe convém.
A própria cor é matéria a aprender. Usando lápis diferentes, as crianças memorizam os nomes das cores, percebem que combinações resultam melhor e aprendem o que são cores primárias e complementares.
Ao mesmo tempo, os desenhos para colorir dão uma certa estrutura e habituam a criança a um ambiente muito parecido com o de uma sala de aula. É natural que uma criança assim se adapte mais depressa à escola.
Ter consciência dos limites, quer se opte por respeitá-los ou por quebrá-los, é uma parte importante do crescimento. Colorir oferece uma forma segura de seguir as regras ou de se rebelar contra elas. Ao colorir e explorar os símbolos do seu país e de outros países[1], as crianças aprendem sobre eles.
Outro benefício dos desenhos para colorir é desenvolverem e manterem as capacidades visuais e motoras. A coordenação olho-mão é uma parte importante das capacidades cognitivas, e colorir equilibra um estudo tão centrado no texto e na lógica.
O efeito dos desenhos para colorir na criatividade das crianças foi por vezes posto em causa, mas há estudos[2] que mostram que a originalidade dos desenhos livres das crianças aumenta depois de um exercício de colorir. Para estimular a imaginação das crianças, os investigadores usaram desenhos de árvores para colorir comuns, como estes[3].
Vejamos um exemplo concreto. Se é pai ou mãe de um rapaz de cinco anos e quer propor-lhe uma atividade adequada, pode procurar e imprimir um desenho de um camião para colorir (por exemplo, um destes).
Uma tendência recente e interessante é a popularidade dos livros para colorir para adultos. Segundo algumas publicações, tornaram-se um dos tipos de livros impressos mais populares[4].
Os livros para colorir são comparados à terapia e à meditação e oferecem, de facto, uma forma agradável de reduzir o stress, concentrando-nos numa tarefa bem definida. Isto produz muitas vezes um estado psicológico muito útil, conhecido como «fluxo». Foi descrito pela primeira vez por Mihaly Csikszentmihalyi[5] e caracteriza-se por uma concentração total na tarefa em mãos e pela sensação de se estar plenamente à altura, sem aborrecimento. Muitas pessoas na nossa sociedade ansiosa acolheriam bem esse alívio, e colorir pode proporcioná-lo, mergulhando-as em algo belo e cativante.
Novas formas de usar os desenhos para colorir ajudam a tornar mais acessíveis disciplinas difíceis como a matemática. The Mathematical Coloring Book[6] é um exemplo, embora o autor use a cor de formas muito mais variadas do que simplesmente colorir dentro das linhas. Outros exemplos incluem uma abordagem inovadora para ensinar aos estudantes a linguagem de programação Fortran.
Naturalmente, usar cores para memorizar matérias como a anatomia humana[7] ou animal[8] é uma técnica muito comum. Está de acordo com a conhecida teoria da especificidade da codificação[9]: para reter bem uma matéria, o estudante deve aprendê-la do maior número possível de formas diferentes.
Existem também livros para colorir sobre certas doenças[10], que ajudam as crianças com deficiência a compreender a sua condição e a participar com mais vontade no tratamento.
Colorir pode também ser uma forma de nos ligarmos aos outros. Já existem vários clubes de colorir nos Estados Unidos e noutros países. E pegar em alguns lápis e colorir com os filhos é uma ótima maneira de passar tempo em família. É uma oportunidade muito necessária para todos pousarem o telemóvel durante algum tempo e recordarem formas mais simples e naturais de passar o tempo.